O CONTEXTO
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O CONTEXTO

Era 10h34 do dia 27/12/2018, estava dentro do carro na porta do laboratório com o resultado da biopsia do nódulo da minha mama direita. Minhas mãos tremiam, meu coração estava disparado, meu estômago enjoado. A ansiedade tomava conta de mim e, uma coisa era certa, aquele resultado poderia mudar a minha vida por completo.

Ao abrir o envelope me deparei com o diagnóstico “carcinoma ductal invasivo”, leiga que era, coloquei as palavras no Google e o resultado foi CÂNCER DE MAMA. Fiquei alguns minutos sem reação, apenas assimilando o que aquelas palavras significavam. Meu coração começou a bater mais rápido, o desespero tomou conta de mim e chorei. Pensei: VOU MORRER! (Hoje levanto a bandeira que diagnóstico de câncer não é sentença de morte, mas, assim como muitos de vocês, quando se fala em câncer as pessoas já se imaginam no seu leito de morte).

Depois de sentir tudo isso, liguei para minha mãe aos prantos. Ela tentou me acalmar e de se manter forte, apesar de não a estar vendo, senti as lágrimas dela caindo.

Naquela tarde fui ao mastologista levar o resultado do exame e ainda restava em mim a esperança de que o Google estivesse errado. Infelizmente não! Ele confirmou o que mais temia, era sim câncer de mama. Sai do médico com vários pedidos de exames para detectar se havia ou não metástase, com a recomendação de procurar um médico geneticista para constatar se eu tinha ou não a mutação nos genes BRCA1 e BRCA2 (fiz o exame genético igual a Angelina Jolie) e destruída por dentro.

Um filme da minha vida passou na minha cabeça, eu tentava descobrir de todas as formas o que havia feito para merecer tamanha provação.

Somos seres humanos e errar é da nossa natureza, contudo alguns erros nos deixam marcas para o resto da vida. Por que digo isso? Porque acredito que meus traumas, que guardei bem lá no fundo, propiciaram o aparecimento do câncer. Contextualizando melhor, os anos de 2017 e 2018, foram os piores da minha vida, havia entrado em contato com sentimentos e traumas que tinha enterrado anos atrás, estava vivendo a minha pior versão, não era feliz e a amargura tomava conta de mim.

Naquela quinta-feira de dezembro, eu me encontrava infeliz, fazia um pouco mais de 1 mês que havia saído de um relacionamento abusivo, minha empresa estava quase falida (ou seja, com problemas financeiros, que me obrigaram a voltar para casa da minha mãe). Estava eu juntando os caquinhos para me reerguer, quando a vida me dá mais um golpe e me quebra novamente.

Tinha a sensação que estava na fase do chefão do jogo do Super Mário (quem jogou ou ainda joga vídeo game sabe do que estou falando) em que o chefão é um monstro enorme, feio, com super poderes e o Mário um encanador, que ao longo do jogo, adquire ferramentas para enfrentar os inimigos e atingir o seu objetivo que é salvar a Princesa Peach e seu reino das forças do mau. Trazendo para minha realidade, o chefão era a vida e eu, o Mário. A vida estava me dando tanta porrada que eu estava caída no chão desorientada e perdida.

Naquele momento, percebi que poderia deixar o “chefão” dar seu golpe final e “game over” pra mim ou eu poderia reagir, usar de todas ferramentas que adquiri ao longo do jogo e partir para o ataque, rumo a vitória. Optei em levantar, peguei as armas que tinha e fui à luta em busca do meu tesouro, a minha cura. A partir deste momento, aquele monstro que parecia enorme, agora já não era tão feio assim.

Na semana seguinte, quando levei os exames para o mastologista, além de receber a notícia que o câncer estava localizado apenas na mama direita, não havia metástase, soube também que ele era TRIPLO NEGATIVO, ou seja, explicando de forma bem leiga, existe o câncer de mama que é alimentado pelos hormônios femininos, e o que não é. O meu era o segundo caso, então não tomaria o tamoxifeno (medicamento tomado por 5 anos ou mais para evitar que o tumor volte), mas o tumor é mais agressivo e se espalha bem mais rápido (para que se tenham uma ideia da agressividade, ele crescia em uma velocidade de 70 vezes maior que a reprodução celular normal. Senti o nódulo pela primeira vez no dia 06/12/18 e estava com um pouco mais de 2 cm, no dia 07/01/19, na minha primeira consulta com meu oncologista, ele já estava com 3,5 cm).

Como o tumor estava muito grande, os médicos optaram em começar pela quimioterapia para que ele diminuísse de tamanho e, quando eu fizesse a cirurgia, tirasse o menos possível da mama (isso se eu não tivesse a mutação genética, que o recomendado é a retirada das 2 mamas e dos ovários, antes dos 40 anos).

Você, em algum momento lendo este post, deve ter pensado que era relapsa com a minha saúde, que não ia ao ginecologista anualmente. Eu procurava regularmente a minha ginecologista e realizava os exames de rotina e o ultrassom das mamas, sempre fui preocupada pois perdi uma amiga super querida para o câncer de mama. E, eu fiz um check up em setembro de 2018, e todos exames deram normais, inclusive o ultrassom das mamas.

Quando recebi o diagnóstico fiquei indignada, fui até a clinica, que havia feito o ultrassom em setembro, tirar satisfação com o médico. Para mim, ele havia errado no laudo, porque não fazia sentido o tumor ter aparecido em tão pouco tempo, ele estava lá e ninguém viu. E, por erro médico, minhas chances de cura diminuíram drasticamente.  Pois bem, ao revisar meu exame, não havia nódulo na minha mama direita e tive que lidar com o fato de que ele apareceu em 2 meses.

Olhando para tudo isso aprendi uma coisa: tenho que me amar acima de tudo, pois só posso amar alguém, e dar o melhor de mim, se eu estiver bem comigo.

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